01Formação
Como medir um roleplay comercial sem se enganar
· 2 min de leitura
Uma nota sem a frase que a sustenta não ajuda ninguém a melhorar. Critérios observáveis, citações literais e evolução no tempo: é assim que um ensaio se transforma em aprendizagem.
Critérios que se possam ouvir
O primeiro erro é avaliar o que não se vê. «Atitude positiva» ou «segurança» dependem de quem ouve. Um bom critério descreve um comportamento que se pode apontar na transcrição: «pergunta pela necessidade antes de apresentar o produto», «reformula a objeção antes de lhe responder», «propõe um próximo passo com data». Entre oito e dez critérios chegam; com mais, o relatório transforma-se em ruído.
Cada critério precisa de uma escala com âncoras. Se vai de 0 a 10, é preciso escrever o que é um 3, um 6 e um 9, com exemplos. Sem âncoras, dois avaliadores, humanos ou não, pontuam a mesma conversa de forma diferente.
Cada nota, com a sua citação
Uma nota só serve se chegar com a frase que a justifica e o minuto em que foi dita. A citação permite ao comercial perceber o que fez bem ou mal, e ao formador verificar se a avaliação é justa. Se o sistema não encontrar uma frase que sustente a nota, a nota não deveria existir.
Nos setores regulados é precisa mais uma verificação: se o que se afirmou sobre o produto está correto segundo a documentação oficial. Uma conversa brilhante com um dado falso é um risco, não um êxito.
A evolução, não a fotografia
Uma sessão isolada diz pouco: influem o cenário, o dia e o cliente simulado. O que importa é a tendência no mesmo cenário ao longo de várias sessões, que critérios melhoram e quais estagnam. Convém subir a dificuldade do cliente simulado só quando os critérios básicos se aguentam.
Enviesamentos a vigiar
- Premiar a extensão: falar mais não é vender melhor. Um critério de escuta compensa-o.
- O efeito de halo: um bom arranque não deve inflacionar o resto. Cada critério é pontuado com a sua própria citação.
- Os erros de transcrição: um sotaque ou uma linha com ruído podem penalizar quem não o merece. As notas baixas revêem-se com o áudio.
- Premiar o guião: recitar o argumentário não é escutar. Avalia-se se a resposta encaixa no que o cliente disse.
- Julgar a pessoa em vez da conversa: mede-se o que foi dito, não como se sentia quem o disse.
Por último, calibra. De tempos a tempos, um formador pontua à mão uma amostra de sessões e compara a sua nota com a do sistema. Se divergirem, ajustam-se as âncoras; não se força o resultado.
Voltar ao índice
